A Mitsubishi está preparando uma nova geração para o ASX. O conhecido SUV compacto retornará completamente renovado e, desta vez, aposta em uma motorização 100% elétrica. Batizado de Mitsubishi ASX VR-e, o modelo foi confirmado para os mercados da Austrália e Nova Zelândia, onde começará a ser vendido no quarto trimestre de 2026.
Além de abandonar o motor a combustão, o novo ASX chama atenção pelo desempenho. A versão mais potente deverá utilizar dois motores elétricos, tração integral e entregar cerca de 400 cv, com capacidade para acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente 3,9 segundos.

Índice desta matéria
Um ASX completamente diferente
Apesar de carregar um nome conhecido da Mitsubishi, o novo ASX VR-e não tem relação direta com o atual SUV vendido pela marca. O modelo foi desenvolvido em parceria com a taiwanesa Foxtron e tem como base o Foxtron Bria, um veículo elétrico projetado com participação da italiana Pininfarina.
A Mitsubishi, porém, realizou alterações próprias no desenho e também participou do desenvolvimento do comportamento dinâmico do carro. Testes e ajustes de suspensão foram realizados na Austrália, com o objetivo de adaptar o modelo às condições locais, e também diferencia-lo do modelo original da Foxtron.
A estratégia é curiosa porque transforma o ASX em um produto completamente diferente daquele conhecido pelos consumidores. Em vez de um SUV compacto convencional, o novo modelo passa a ocupar espaço entre os elétricos modernos da categoria, com visual mais futurista e forte apelo tecnológico, porém curiosamente, não será 100% um Mitsubishi.
Até 400 cv e tração integral
O grande destaque do ASX VR-e será a configuração elétrica. A base mecânica utiliza uma bateria de aproximadamente 57,7 kWh, com tecnologia LFP.
A configuração de entrada utiliza um único motor elétrico instalado no eixo traseiro, com aproximadamente 229 cv e tração traseira. No Foxtron Bria, essa configuração acelera de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos.
Já a versão mais sofisticada recebe dois motores elétricos e tração integral, elevando a potência combinada para aproximadamente 400 cv. Nessa configuração, a aceleração de 0 a 100 km/h cai para apenas 3,9 segundos.
Esse desempenho coloca o novo ASX em uma posição bastante diferente dentro da gama Mitsubishi e ajuda a explicar a escolha do sobrenome VR-e.
Nome VR resgata tradição esportiva
A sigla VR não foi escolhida por acaso. O nome remete à tradição de versões esportivas da Mitsubishi, especialmente modelos como o Galant VR-4, que ajudaram a construir a imagem de desempenho da marca.
A utilização do nome em um carro elétrico representa, portanto, uma tentativa de conectar o passado esportivo da Mitsubishi com sua nova fase de eletrificação. No caso da versão de dois motores, os números de desempenho são realmente expressivos para um modelo compacto.
Autonomia passa dos 500 km
A bateria de 57,7 kWh também permite ao modelo oferecer uma autonomia competitiva.
Tomando como referência os números divulgados para o Foxtron Bria, a configuração de um motor pode alcançar até 516 km pelo ciclo NEDC, enquanto a versão de dois motores fica em aproximadamente 466 km. Pelo ciclo WLTP, os números são menores, chegando a cerca de 439 km na configuração de um motor e 396 km na versão AWD.
O sistema também suporta carregamento rápido em corrente contínua de até 134 kW, permitindo recuperar de 10% a 80% da bateria em aproximadamente 30 minutos, de acordo com as especificações do modelo que serve de base para o Mitsubishi.

Interior moderno e tecnológico
Por dentro, o ASX VR-e segue a mesma proposta tecnológica do Bria, com painel digital e uma grande central multimídia posicionada no centro do painel, mudando apenas o acabamento e os logos.
O modelo-base utiliza um quadro de instrumentos digital de 9,2 polegadas e uma tela central de 15,6 polegadas. Dependendo da versão, também estão disponíveis itens como carregador de celular por indução, bancos dianteiros ventilados, câmera com visão de 360 graus, teto panorâmico e tampa do porta-malas elétrica.
Entre os equipamentos de assistência à condução estão recursos como controle de cruzeiro adaptativo, centralização em faixa e alerta de tráfego cruzado traseiro.
Dimensões compactas
Embora a Mitsubishi ainda não tenha divulgado todos os dados definitivos do ASX VR-e, como o modelo é baseado no Foxtron Bria ele deve ter 4,32 metros de comprimento, 1,89 metro de largura, 1,54 metro de altura e 2,80 metros de entre-eixos.
Com essas dimensões, o novo ASX entra em uma faixa bastante competitiva entre os SUVs elétricos compactos.
Quando chega?
A Mitsubishi confirmou o lançamento do ASX VR-e para o quarto trimestre de 2026 na Austrália e na Nova Zelândia.
Na Nova Zelândia, o modelo terá quatro níveis de acabamento: LS, XLS, Exceed e GSR. Os preços e todas as especificações definitivas ainda não foram divulgados.
A chegada do modelo representa também o retorno da Mitsubishi ao segmento de veículos totalmente elétricos após o encerramento do i-MiEV, além de marcar uma nova estratégia de eletrificação da marca nesses mercados.
Por enquanto, não há confirmação de lançamento do ASX VR-e no Brasil. A Mitsubishi atualmente mantém no mercado brasileiro uma gama bastante enxuta, tendo hoje apenas três modelos: Eclipse Cross, Outlander e Triton.
Marcas estão buscando alternativas para cortas custos
Uma ação polêmica, porém que vem sendo cada vez mais utilizada pelas marcas globalmente, é rebatizar um veículo já existente de outra fabricante ao invés de criar um carro totalmente novo.
Esta pratica não é nova, porém nos dias atuais tem se tornado cada vez mais explorada pelas montadoras para cortar custos de produção e desenvolvimento. Um exemplo será a nova Volkswagen Amarok, que será na verdade será uma picape chinesa rebatizada.
O que apesar de permitir as montadoras oferecerem mais novidades no mercado, acaba com aquela imagem que tínhamos antigamente das marcas, na qual podíamos dizer este é um Mitsubishi ou este é um Volkswagen.

Mitsubishi ASX
Lembrando que o Mitsubishi ASX saiu de linha no Brasil em 2021, o modelo que era o SUV de entrada da marca chegou a ser produzido por 11 anos no país.


