A Kawasaki Ninja e-1 representa uma das maiores mudanças na história da tradicional família Ninja. Em vez de um motor a combustão, a esportiva aposta em um conjunto 100% elétrico, mas mantém o visual agressivo característico da linha, combinando carenagem integral, posição de pilotagem esportiva e tecnologias específicas para motos elétricas. Lançada originalmente como parte da primeira ofensiva da Kawasaki no segmento de motocicletas elétricas, a Ninja e-1 já está disponível na linha 2027 da marca nos Estados Unidos. Porém os dados de desempenho e potência estão bem longe do que estamos acostumados em relação a uma Kawasaki comum, o modelo utiliza um motor elétrico síncrono de ímã permanente refrigerado a ar, com potência máxima de 6,8 cv, mais fraca até mesmo em relação a uma Honda Pop 110i.

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Visual de Ninja, porém coração de scooter elétrica
Apesar da mecânica completamente diferente, a Kawasaki não abriu mão da identidade visual da família Ninja. A e-1 recebe carenagem integral com linhas angulosas e aerodinâmica, iluminação totalmente em LED e acabamento que combina elementos esportivos com uma aparência futurista.
A proposta é interessante porque, visualmente, a moto é uma Ninja convencional, bem diferente de uma scooter ou motocicleta elétrica urbana. A ideia é oferecer uma porta de entrada para a eletrificação sem abandonar a experiência de pilotagem esportiva associada à marca japonesa.

Motor elétrico entrega até 12 cv
Porém apesar da aparência esportiva a proposta aqui claramente está muito longe disso, seu motor elétrico desenvolve potência nominal de apenas 6,8 cv, podendo alcançar até 12,3 cv (9 kW) de potência máxima entre 2.600 e 4.000 rpm por um período de 15 segundos no modo “boost”. Em compensação o torque máximo é forte, alcança até 29.7 lb-ft (4,11 kgf·m), disponível a apenas 500 rpm. Como sabemos, não adianta ter muito torque com baixa potência, na pratica a Ninja EV tem arrancadas fortes, porém não consegue manter esta performance em velocidades maiores.
Só para entendermos, hoje a Kawasaki Ninja 300, modelo de entrada da gama no Brasil, tem motor de 39 cv, quase 6 vezes mais potente em relação a esta nova versão elétrica.
Porém como acontece com outras motos elétricas, a entrega imediata de torque ajuda nas acelerações e torna a Ninja e-1 especialmente adequada para utilização urbana em baixa velocidade. A transmissão é de redução única, eliminando a necessidade de um câmbio convencional com várias marchas.
Outro destaque são os diferentes modos de condução que altera significativamente o comportamento da moto, como e-Boost indicado para acelerações ou ultrapassagens, que eleva o desempenho por alguns segundos. No modo Road, a velocidade máxima passa de 89 km/h para 105 km/h com este modo e-Boost. No modo Eco, a velocidade fica limitada a cerca de 64 km/h, chegando a aproximadamente 76 km/h com o e-Boost ativado.
Duas baterias removíveis
Um dos principais diferenciais da Ninja e-1 está no sistema de baterias. A moto utiliza duas baterias de íons de lítio, cada uma com 50,4 V e 30 Ah.
O conjunto foi pensado para facilitar o carregamento. As baterias podem ser retiradas da motocicleta e carregadas separadamente, permitindo que o proprietário leve os módulos para dentro de casa ou para outro ambiente com tomada. As baterias ficam posicionadas onde normalmente ficaria o tanque de gasolina, basta abrir o tanque remover uma peça que o piloto terá acesso as placas, porém como elas são pesadas têm cerca de 11 kg cada, portanto o piloto não poderá andar com duas baterias reservas pensando por exemplo em viagens mais longas.
A Kawasaki informa autonomia de aproximadamente 66 km, considerando o modo Road sem utilizar o e-Boost. A autonomia, naturalmente, pode variar de acordo com velocidade, temperatura, peso do piloto, condições da via e utilização dos diferentes modos de condução.
O carregamento completo de cada bateria leva cerca de 3,7 horas. Também é possível fazer uma recarga parcial mais rápida, com aproximadamente 1,6 hora para passar de 20% a 80%.

Tecnologia ajuda no uso urbano
Além dos modos Road e Eco e do e-Boost, a Ninja e-1 conta com Walk Mode, que facilita as manobras em baixa velocidade e também oferece função de ré, isso mesmo função ré.
A moto ainda possui sistema ABS de série e painel TFT com conectividade para smartphone por meio do aplicativo RIDEOLOGY THE APP. O painel também exibe informações relacionadas à temperatura, carga e autonomia das baterias.
Outro recurso importante é a regeneração de energia durante as desacelerações. Parte da energia recuperada pelo freios pode retornar às baterias, ajudando a ampliar a autonomia em determinadas condições de uso principalmente em trechos urbanos.

Ciclística é de moto convencional
Apesar do conjunto elétrico, a Ninja e-1 não utiliza uma arquitetura de scooter. A motocicleta conta com chassi do tipo treliça em aço de alta resistência similar ao das Ninja normais, suspensão dianteira telescópica e sistema traseiro Uni-Trak com amortecedor a gás e ajuste de pré-carga.
As rodas são aro 17, com pneu 100/80 na dianteira e 130/70 na traseira. O sistema de freios utiliza disco em ambas as rodas, com 290 mm na dianteira e 220 mm na traseira, auxiliado pelo ABS em ambas.
A moto tem 1,98 m de comprimento, 1,105 m de altura, 1,37 m de entre-eixos e 785 mm de altura do assento. Com as baterias instaladas, o peso fica em aproximadamente 140 kg, cerca de 30 kg mais leve em relação a Ninja 300.
Quanto custa a Kawasaki Ninja e-1?
Nos Estados Unidos, a Kawasaki lista atualmente a Ninja e-1 com preço sugerido de US$ 7.899, algo em torno de R$ 40,700, valor ainda bastante salgado frente as motos convencionais, principalmente se levarmos em conta a potência e desempenho desta versão elétrica. Só para entendermos melhor, nos EUA por $8,199 (R$ 42.900) já é possível comprar uma Ninja 650 com 68 cv de potência.
No Brasil, porém, a questão é ainda mais complexa. Não deveremos ter esta versão elétrica da Ninja tão cedo, pelo menos com este patamar de preço ela simplesmente não faz sentido, já que a Ninja 300 com 39 cv de de potência custa hoje no país R$29.490.
A Ninja e-1 mostra que a eletrificação das motocicletas pode seguir um caminho diferente daquele observado nos automóveis. Em vez de simplesmente criar uma moto elétrica utilitária, a Kawasaki apostou em uma esportiva que preserva boa parte da identidade visual e ciclística de suas motocicletas tradicionais, com motorização elétrica voltada para andar na cidade. Porém inegavelmente o projeto ainda está longe do ideal, provavelmente em um futuro breve teremos motos elétricas combinando performance semelhante a de motores a combustão, com preço acessível. O que ainda não é o caso aqui.
Ficha técnica – Kawasaki Ninja e-1
| Item | Ninja e-1 |
|---|---|
| Motor | Elétrico síncrono de ímã permanente |
| Refrigeração | A ar |
| Potência máxima | 9 kW (aprox. 12 cv) |
| Potência nominal | 5 kW |
| Torque máximo | 40,3 Nm |
| Baterias | 2 baterias de íons de lítio |
| Capacidade | 50,4 V / 30 Ah cada |
| Autonomia | Aproximadamente 66 km |
| Transmissão | Redução única |
| Modos | Road e Eco |
| e-Boost | Sim |
| ABS | Sim |
| Peso | Aproximadamente 140 kg |
| Altura do assento | 785 mm |
| Entre-eixos | 1.370 mm |
| Comprimento | 1.980 mm |
| Pneus | 100/80-17 e 130/70-17 |
| Carga | Cerca de 3,7 h por bateria |
A Kawasaki Ninja e-1, portanto, não pretende substituir uma Ninja 400 ou Ninja 500 em desempenho. Sua proposta é outra: oferecer uma motocicleta elétrica com aparência de esportiva, comportamento mais próximo de uma moto convencional e tecnologias que tornam a utilização urbana mais prática.
O modelo também funciona como uma demonstração importante da estratégia de eletrificação da Kawasaki, que busca introduzir a tecnologia elétrica sem abandonar nomes tradicionais como Ninja e Z.


