A Gordon Murray Special Vehicles (GMSV) revelou o S1, um superesportivo de motor central-traseiro com V12 aspirado de 4,2 litros desenvolvido pela Cosworth, câmbio manual de seis marchas e produção limitada a apenas 64 unidades — todas já encomendadas.
Com proposta claramente “touring” ou seja, feito para as estradas, o S1 é apresentado como uma evolução mais focada em uso diário e viagens em relação ao S1 LM apresentado recentemente pela Gordon Murray, mantendo a filosofia de leveza extrema, direção hidráulica, três lugares (com motorista ao centro) e, acima de tudo, um V12 similar ao usado pelos carros de Formula 1 antigos, que grita alto, alcançando até 12.100 rpm.

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Conceito e filosofia de projeto
O S1 surge como uma espécie de “sucessor espiritual” do lendário McLaren F1, projetado pelo próprio Gordon Murray no início dos anos 1990. Desta vez, porém, a proposta combina a essência purista do modelo original com maior foco em conforto e usabilidade no dia a dia. A receita continua praticamente intocada: motor V12 naturalmente aspirado, sem qualquer sistema híbrido, combinado a um câmbio manual com pedal de embreagem. Uma configuração verdadeiramente raiz e que, infelizmente, está se tornando cada vez mais rara entre os supercarros modernos.
Principais pilares do projeto:
- Motor central-traseiro, tração traseira
- Três lugares, com assento do motorista no centro e dois passageiros laterais ligeiramente recuados, igual era no McLaren F1 de 1992
- Câmbio manual de 6 marchas, com sexta longa para velocidade de cruzeiro em estradas
- Direção hidráulica, sem assistência elétrica, visando oferecer mais precisão e feed back ao motorista.
- Foco em “touring”: mais torque em baixas e médias rotações, suspensão ajustada para conforto relativo em longas distâncias.
O próprio Murray descreve o S1 como algo que “nunca mais vai acontecer de novo”, em referência ao fim da era dos superesportivos aspirados, leves e puramente mecânicos.

Motorização e desempenho
O coração do S1 é um V12 4.2 litros atmosférico, desenvolvido sob encomenda pela Cosworth, derivado da unidade usada no S1 LM, mas com ajustes para melhor resposta em baixas e médias rotações. Lembrando que a Cosworth é uma das maiores fabricantes de motores do mundo, fez fama principalmente na Fórmula 1.
Dados técnicos do motor:
- Arquitetura: V12 atmosférico, lubrificação por cárter seco
- Comando: válvulas e bielas em titânio, pistões leves com revestimento de carbeto de silício
- Potência: 690 cv
- Torque: aproximadamente 500 Nm (369 lb-ft), com 80% disponível já a 2.500 rpm e pico por volta de 7.000 rpm
- Giro máximo: 12.100 rpm (corte de combustível em 12.400 rpm)
O motor é acoplado exclusivamente a um câmbio manual de seis marchas, com cabos de acionamento redesenhados para sensação de troca “precisa como um rifle”, e sexta marcha longa para rodar em velocidade de cruzeiro com rotação mais baixa (pensado para estradas).
Embora a Gordon Murray não tenha divulgado números oficiais de aceleração e velocidade máxima, a combinação de 690 cv, peso extremamente baixo (na casa dos 950–990 kg), além de tração traseira e câmbio manual, sugere desempenho de hiperesportivo, com 0 a 100 km/h provavelmente na faixa de 2,8 a 3,0 segundos e velocidade máxima acima de 320 km/h, ainda que o foco seja mais na experiência de condução do que em números brutos de desempenho.

Chassi, peso e dinâmica
O S1 utiliza monocoque de carbono, seguindo a mesma filosofia de engenharia leve dos modelos anteriores da GMSV (T.50, S1 LM) e também do McLaren F1 original.
Principais características:
- Peso: não divulgado oficialmente, mas esperado abaixo de 1.000 kg (provavelmente entre 950 e 990 kg), com base no S1 LM (< 986 kg) e no T.50
- Distribuição de peso: otimizada para motor central-traseiro e posição central do motorista
- Suspensão: elevada em 10 mm em relação ao S1 LM para equilibrar precisão em curvas e conforto em viagens longas, coerente com o perfil “touring”
- Freios: discos de alta performance, provavelmente em carbono-cerâmica, com calibração voltada para uso em estrada e pista leve.

Design e interior
O design do S1 é uma evolução direta da linguagem do T.50 e do S1 LM, com linhas limpas, sem exageros aerodinâmicos agressivos, porém aqui Gordon Murray não deve vergonha de beber diretamente da fonte do McLaren F1 de 1992, tanto é que ao olharmos o S1 fica até difícil reconhecer que este não é um McLaren original, faróis, proporções, inclusive as tomadas de ar, lanternas traseira e rodas são muito similares as do F1 original.
- Três lugares, com motorista no centro
- Para-brisas amplo e visibilidade privilegiada
- Capô traseiro em “concha”, revelando o V12
- Aerodinâmica ativa discreta, integrada ao desenho da carroceria.

No interior, a GMSV mantém o minimalismo funcional:
- Painel de instrumentos focado no essencial, com mostradores analógicos e digitais
- Acabamentos em materiais leves e de alta qualidade (carbono, alumínio, couro)
- Posição central do motorista, com os dois passageiros em bancos laterais ligeiramente recuados
- Controles manuais para funções principais, sem telas gigantes ou interfaces complexas
Cada uma das 64 unidades poderá ser personalizada individualmente pelo proprietário, em um processo de comissão direta com a Gordon Murray Special Vehicles, ou seja, o dono poderá escolher cores e matérias empregados na cabine ao seu gosto.
Produção, preço e mercado
Como manda a cartilha atual dos supercarros, a produção do Gordon Murray S1 será extremamente restrita para tornar o modelo ainda mais especial:
- Serão somente 64 unidades no total, em todo o mundo
- Todas já pré-vendidas no momento da apresentação
- Como o carro será feito de forma artesanal, praticamente todo montado a mão, as entregas estão previstas apenas para 2028
A marca não divulgou preço oficial, mas certamente o valor ficará abaixo do de um McLaren F1 original, que hoje ultrapassa £ 20 milhões em leilões e são ultra raros.
Estima-se, que o Gordon Murray S1 terá preço na faixa de US$ 3 a 5 milhões (cerca de R$ 17 a 28 milhões na conversão direta), mas, se eventualmente chegasse ao Brasil via importação especial, o valor final com impostos poderia facilmente superar R$ 50 milhões, considerando tributos de importação, IPI, ICMS e taxas.
S1 x S1 LM x T.50: diferenças principais
Vale comentar sobre as diferenças entre o S1 e seu irmão mais radical o S1 LM, basicamente o S1 apresentado hoje tem uma proposta mais limpa, feita para a estrada, além de claro ter uma referência visual direta ao McLaren F1, já o LM tem vocação mais para pista, com direto a visual com um gigante aerofólio traseiro e um visual mais exclusivo, mais fechado visando a aerodinâmica, além disso, o S1 LM tem mais potência.
- S1 (2028)
- Motor: V12 4.2 atmosférico Cosworth
- Potência: até 690 cv
- Foco: “touring”, uso em estrada, conforto relativo
- Produção: 64 unidades
- S1 LM
- Motor: V12 4.3 atmosférico Cosworth
- Potência: cerca de 730 cv
- Foco: performance extrema, inspirado em versões de competição
- Peso: < 986 kg, relação peso/potência ~ 763 cv/tonelada
- Produção: 5 unidades (série ultra limitada)
- T.50
- Motor: V12 3.9 atmosférico Cosworth
- Potência: cerca de 663–670 cv
- Foco: hiperesportivo de pista e estrada, com aerodinâmica ativa avançada
- Produção: 100 unidades
Portanto, a linha de carros atualmente da Gordon Murray fica assim o T.50 é o modelo de entrada, e o novo S1 ocupa uma posição intermediária: menos radical que o S1 LM que segue sendo o topo da marca.
















