Mitsubishi Pajero TR4 – Guia de usado, um 4×4 raiz por R$ 40.000, será que vale a pena?

Mitsubishi Pajero TR4

O Pajero TR4 é um SUV compacto da Mitsubishi que ficou famoso no Brasil por ser um 4×4 “de verdade” — com reduzida e tração integral mecânica — algo raro nos SUVs atuais. Ele é a versão brasileira do Mitsubishi Pajero iO, um modelo criado originalmente no Japão no final da década de 1990 e que foi rebatizado no Brasil de TR4. Apesar de ter saído de linha há 10 anos, hoje com preços começando na casa dos R$ 30.000 este SUV raiz se tornou uma opção interessante no mercado de usado, principalmente pelo seu conjunto mecânico robusto. Porém nem tudo são flores.

Mitsubishi Pajero IO 1998 1999. 2000 e 2001
Mitsubishi Pajero IO 1998 1999. 2000 e 2001 – Foto: Revista Carro

Quais anos o Pajero TR4 foi vendido no Brasil?

Pajero IO 1998 – 2001

A história do Mitsubishi Pajero TR4 no Brasil começou em 1998, quando o modelo estreou vindo importado do Japão ainda vendido como Pajero iO.

Pajero TR4 – 2002 – 2014

Com o sucesso do 4×4 por aqui, a Mitsubishi começou a produzir o modelo no Brasil em 2002 na fábrica de Catalão – GO, onde ele foi montado até o final de 2014 (modelo 2015).

Mitsubishi Pajero TR4 2002
Mitsubishi Pajero TR4 2002

Motores do Pajero TR4 no Brasil

  • O TR4 brasileiro sempre foi equipado com um motor 2.0 16 válvulas (código 4G94), com 4 cilindros em linha — um projeto simples e robusto, sem turbo ou tecnologia complexas para reduzir custos de manutenção, este é um dos trunfos do Mitsubishi TR4, o modelo conta com um bloco bastante robusto que mesmo hoje em dia não da problema.

  • Importante comentar que quando foi importado ao Brasil de 1998 até 2001 ainda chamado de Pajero IO o SUV era equipado no Brasil com um 1.8 16v a gasolina, com modestos 117 cv de potência.
  • Quando ganhou produção brasileira em 2002 o Mitsubishi TR4 passou a usar motor 2.0 16v com 131 cv.

  • Em 2007 o motor 2.0 do TR4 passou a ser flex e entregar 131 cv com gasolina ou 133 cv com etanol para um torque de 18 kgfm.
  • Por fim, a partir de outubro de 2009 (TR4 2010) a Mitsubishi promoveu melhorias neste motor 2.0 flex, desenvolveu novos pistões e aumentou a taxa de compressão que passou de 9,5:1 para 11:1, na pratica a potência saltou de 133 cv para 140 cv com etanol e o torque subiu para 22 kgfm, lembrando que com gasolina os dados são: 135 cv e 20 kgfm.

Tração e Transmissão

Um dos diferenciais deste SUV compacto é a sua valentia off-road, ao contrário dos modelos atuais que não tem tração 4×4 ou qualquer valentia para ir além do asfalto, o projeto do TR4 trazia toda a tradição raiz da Mitsubishi vindo dos ralis, grande parte das versões do modelo vinham com tração 4×4 manual que poderia ser selecionada para rodar 4×2 traseira, 4×4 on-road (para asfalto), 4×4 off-road e até mesmo 4×4 reduzida.

Portanto o hoje o TR4 é umas opções mais baratas para quem quer ter um modelo off-road de verdade.

TR4 4×2 existe ?

Importante comentar que em novembro de 2011, já na linha 2012, a Mitsubishi colocou no mercado uma versão 4×2 do TR4 com tração apenas na traseira, elas são raridades mas existem (leia mais aqui). Se por um lado é mais barata, leve e econômica, por outro, tem menos equipamentos e é indicada apenas para as cidades.

Câmbio

Com relação a transmissão, há duas opções: manual de 5 marchas ou uma caixa automática de 4 marchas (mais popular).

Vale comentar sobre a transmissão que a maioria das versões no mercado de usados usam câmbio automático. Isso por um lado é positivo em favor do conforto, mas exige maior atenção na hora da compra, principalmente em modelos mais antigos, além disso, a versão automática tem um consumo maior por ter apenas 4 velocidades.

Mitsubishi Pajero TR4
Mitsubishi Pajero TR4 2010 – Foto Bahrein Motors

Versões e equipamentos

Quando chegou importada como Pajero iO, o modelo tinha uma única versão no Brasil, vinha com itens básicos para a época como direção hidráulica, ar-condicionado, vidros e travas elétricas, faróis de neblina, rodas em liga leve aro 16 (215/65 R16) e airbag duplo. Como opcionais, porém muito comuns na época, existia rádio com CD Player, piloto automático, bancos em couro e aerofólio traseiro.

Já a TR4 produzida no Brasil de 2002 até 2014 tem uma certa confusão em suas versões, já que a Mitsubishi basicamente distinguia apenas a básica GLS. A gama de configurações era a seguinte: GLS 4×4 MT, GLS 4×4 AT, 4×4 MT, 4×4 AT, sendo que a partir de 2012 houve ainda as opções 4×2 MT e 4×2 AT.

Com relação a lista de equipamentos o Pajero TR4 pertence a uma era mais antiga de mercado, ou seja, não espere itens de luxo ou modernos. Em todas as versões você encontrará apenas itens comuns como ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos e retrovisores elétricos, além de rodas em liga leve aro 16 ou 17, com pneus 225/70 R16 até 2009 ou 225/65 R17 de 2010 até o modelo 2015. Os bancos em couro eram opcionais mas estão presente na maioria das versões.

A partir de 2010 o SUV ganhou modernidades como sistema de com MP3, entrada USB, e conexão Bluetooth, sendo que em 2012 a TR4 nas versões mais caras recebeu a central multimídia chamada “Power Touch” com tela touch de 7 polegadas com direito até a DVD e um GPS nativo com mais de 1200 cidades na memória (uma grande evolução na época).

Mas…você não terá luxos na TR4, nenhuma versão do modelo tem por exemplo volante multi-funcional ou ar-condicionado digital, o negócio aqui é realmente raiz.

Qual a diferença da GLS para as demais?

A versão GLS na Mitsubishi sempre foi uma configuração mais básica e pelada para custar menos, no caso da TR4 GLS ela abre mão de itens de segurança como freios ABS, airbag do passageiro e freio a disco nas rodas traseiras.

Mitsubishi Pajero TR4 2011 traseira
Mitsubishi Pajero TR4 2011 traseira

Reestilizações:

Durante seus quase 13 anos de produção no Brasil a Mitsubishi TR4 mudou muito pouco, o interior é praticamente o mesmo em todas as versões, já o visual sofreu dois facelifts:

O primeiro em 2007 quando o modelo recebeu novos faróis e lanternas com luzes separadas é um estilo que não agrada tanto inspirado na picape L200 da época.

Em novembro de 2009 já como modelo 2010 o TR4 passou por sua maior mudança visual no Brasil, mudando todo o conjunto frontal com faróis mais modernos, grade frontal e para-choque mais aerodinâmico menos quadrados, enquanto na traseira mudou o vidro da tampa do porta malas que ficou menor e as lanternas que ficaram maiores e mais envolventes.

O modelo 2010 também ficou mais robusto, a Mitsubishi redesenhou as laterais do carro, inclusive as caixas de rodas e as portas, as rodas a partir do modelo 2010 cresceram passaram de aro 16 para 17. (leia mais sobre o TR4 2010 aqui).

Mitsubishi Pajero TR4 interior
Mitsubishi Pajero TR4 interior

Dimensões são um problema

Uma das maiores criticas do Pajero TR4 é o seu tamanho, apesar de ter ficado no Brasil até 2015 o projeto deste SUV é datado de 1997, uma época que os carros eram muito menores do que hoje.

Pensando no lado positivo, o tamanho compacto do modelo facilita a vida nas grandes cidades, principalmente para estacionar, afinal ele mede apenas 4.06 metros – 10 cm menor em relação ao Chevrolet Onix. O tamanho compacto da TR4 também é um trunfo no off-road, principalmente em trilhas mais apertadas.

Mitsubishi Pajero TR4 interior banco traseiro
Mitsubishi Pajero TR4 interior banco traseiro

Já pelo lado negativo o espaço interno é bastante limitado, a distância entre eixos tem apenas 2,45 m, sendo 1.6 cm menor em relação ao VW Gol. O porta malas também não é grande, tem apenas 312 litros, o que realmente pode ser um problema para famílias maiores que precisam de espaço.

Medida Valor (mm) Observações 
Comprimento 4.058 Padrão em modelos 2010-2015
Largura 1.680 Sem retrovisores
Altura 1.714 Varia até 1.710 em alguns anos
Entre-eixos 2.450 Distância entre eixos
Bitola dianteira 1.441 Largura rodas dianteiras 
Bitola traseira 1.451 Largura rodas traseiras

Porta malas, tanque, peso e carga

Medida Valor Observações 
Peso em ordem de marcha 1.435 kg Versão 4×4 típica
Porta-malas 312 L Expansível com bancos rebatidos
Tanque de combustível 72 L Capacidade total
Carga útil 375 kg Máxima permitida

Consumo :

Modelos Antigos 2002 até 2007 (Gasolina)

Em modelos mais antigos, com motor gasolina puro:

  • Urbano: 7 km/l

  • Rodoviário: Entre 9,0–9,5 km/l

  • Tanque de 53 L garante autonomia razoável.

Modelos Flex (a partir de 2008)

Segundo dados oficiais e testes:

  • Estrada:

    • 11 km/l com gasolina

    • 9 km/l com álcool

  • Cidade:

    • 8 km/l (gasolina)

    • 6,5 km/l (álcool)

  • Porém o tanque maior com 72 L garante maior autonomia

Pontos Positivos do Mitsubishi TR4

Robustez e capacidade 4×4 real

  • Este é um dos poucos SUVs do Brasil com tração 4×4 mecânica (ou seja, sem depender de eletrônica), o que além de trazer mais valentia fora de estrada, garante que a manutenção seja mais simples e barata.

Off-road de verdade

  • Com tração 4×4 reduzida e vão livre 21,5 cm, além de bons ângulos  (35º de entrada e 35º saída) este modelo encara estradas ruins, trilhas leves e lama com maior confiança que a maioria dos SUVs urbanos modernos. Uma comparação rápida o TR4 tem quase 3 cm a mais de vão livre comparado com o Jeep Renegade.
  • Um detalhe interessante do TR4 é que ele consegue encarar trechos alagados com até 60 cm de profundidade o que da muito mais segurança para quem mora em cidades grandes com problemas de enchentes.

Confiabilidade mecânica

  • Motor simples, menos “sofisticado” e geralmente considerado durável se bem cuidado, além disso por não ter tecnologias como turbo ou injeção direta, é um motor menos frágil a combustível ruim.

Manutenção e peças relativamente acessíveis

  • Por ter sido fabricado no Brasil por 12 anos, há boa oferta de peças – inclusive no mercado paralelo.

Preço de usado acessível

  • Muitos exemplares na faixa entre R$45.000 e R$65.000 em 2025 (varia muito por ano/estado). É hoje um dos 4×4 usado mais barato do Brasil.

Estilo

  • Apesar de ser um carro com projeto antigo, o design do Mitsubishi TR4 ainda agrada mesmo nos dias atuais, o modelo envelheceu muito bem, principalmente as versões posterior ao facelift (2010 em diante) que têm um estilo que ainda passa a imagem premium.

Pontos Negativos ou alertas ao comprar

Consumo elevado

SUV pesado + motor grande + câmbio curto + aerodinâmica ruim resulta em consumo alto, especialmente com etanol com médias de 6 km/l na cidade. Esta é talvez a maior critica por parte dos donos.

Desempenho de 1.0

Outro problema é seu desempenho lento, apesar de ter 140 cv a aceleração de 0 a 100 km/h do Mitsubishi TR4 é similar a um carro com motor 1.0, segundo testes da revista Quatro Rodas em 2009 ele precisou de 13,5 segundos para alcançar os 100 km/h e demorou 11.8 segundos para retomar de 60 km/h para 100 km/h (velocidade média de uma ultrapassagem).

Interior simples e antiquado

Mesmo nos últimos anos, o design interno ficou para trás em comparação com rivais mais modernos, durante todos os seus anos vendidos no Brasil o modelo teve sempre o mesmo painel do final da década de 1990, a Mitsubishi também pisou na bola em não colocar equipamentos mais tecnológicos neste 4×4, nenhuma versão tem airbag lateral.

Espaço interno limitado

Banco traseiro e porta-malas podem parecer apertados para famílias grandes ou comparado com outros SUVs atuais.

Conforto mais rígido

Suspensão projetada para fora de estrada pode parecer dura na cidade.

Idade dos carros usados

Todos os modelos têm ao menos 10 anos de uso, então estado mecânico e ferrugem são pontos de atenção. Além disso, uma grande parte dos donos de TR4 realmente usavam todo o potencial do modelo, ou seja, são carro que fizeram off-road em condições severas de uso.

Galeria de fotos Mitsubishi Pajero TR4 (1998 até 2014)

Faixas de preço no mercado usado (anúncios reais em 2026)

Esses preços são o que se vê em anúncios de carros usados — geralmente um pouco acima da FIPE, variando bastante dependendo do estado de conservação e quilometragem:

Ano Preço Mínimo (R$) Preço Máximo (R$)
1998 a 2003 30.000 35.000
2004 32.047 34.464
2005 32.849 39.780
2006 37.489 38.953
2007 39.221 42.009
2008 43.012 44.555
2009 44.381 pon47.595
2010 51.276 54.910
2011 52.558 56.589
2012 54.077 58.762
2013 55.429 62.023
2014 56.859 66.217
2015 60.362 68.035

O que esses valores significam na prática

✔️ Modelos mais novos (2013-2015) costumam ficar entre ~R$ 55.000 a ~R$ 70.000 no mercado atual, dependendo do estado e equipamentos.

✔️ Anos intermediários (2010-2012) normalmente variam de ~R$ 50.000 a ~R$ 65.000.

✔️ Modelos mais antigos (2003-2009) ficam na faixa de ~R$ 30.000 a ~R$ 45.000, também muito influenciados pela quilometragem.

Análise: Vale a Pena Comprar um Pajero TR4?

Quando vale a pena

✅ Você quer um SUV com tração 4×4 “de verdade” para trilhas e estradas ruins.
✅ Você valoriza robustez e durabilidade, além de mecânica mais simples.
✅ Você gosta de carros com personalidade e estilo off-road clássico (que não existem mais hoje).
✅ Você acha o consumo alto aceitável pelo que o carro oferece.
✅ Você pretende manter e cuidar

👉 Para esses perfis, especialmente entusiastas de fora de estrada ou quem quer versatilidade com custo usado acessível, é um carro que ainda pode valer a pena, principalmente comparado com outros “SUVs” de hoje em dia.

🔴 Quando pode não valer a pena

❌ Você não quer abrir mão de conforto, tecnologia e baixo consumo.
❌ Você precisa de muito espaço ou um carro para família grande.
❌ Você não tem tempo ou paciência para cuidar da manutenção

👉 Nesses casos, SUVs compactos mais modernos (ex.: modelos atuais da Hyundai, Jeep, Honda) podem ser melhores escolhas.

Dicas importantes antes de comprar um usado

📍 Verifique histórico de trilhas pesadas (golpes e amassados na parte inferior — podem indicar uso off-road intenso).
📍 Confirme estado de chassis e suspensão
📍 Verifique se a caixa de tração e reduzida estão funcionando corretamente, o custo de reparo é caro
📍 Considere fazer inspeção com mecânico de confiança ou um laudo cautelar antes de fechar negócio

Conclusão

O Mitsubishi Pajero TR4 é um SUV 4×4 robusto e resiliente, especialmente para quem busca capacidade off-road e durabilidade mecânica. Por outro lado, consumo alto, conforto limitado e interior simples podem ser pontos negativos para uso urbano cotidiano. Hoje, como usado, ele pode valer a pena dependendo do seu perfil e expectativas, mas não é uma compra “universalmente ótima” — exige ponderar quais são as prioridades para você.

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